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17 de abril de 2014

Doutor é quem faz Doutorado

Publicado por Enviadas Por Leitores (extraído pelo JusBrasil) - 4 anos atrás

LEIAM 49 NÃO LEIAM


No momento em que nós do Ministério Público da União nos preparamos para atuar contra diversas instituições de ensino superior por conta do número mínimo de mestres e doutores, eis que surge (das cinzas) a velha arenga de que o formado em Direito é Doutor.

A história, que, como boa mentira, muda a todo instante seus elementos, volta à moda. Agora não como resultado de ato de Dona Maria, a Pia, mas como consequência do decreto de D. Pedro I.

Fui advogado durante muitos anos antes de ingressar no Ministério Público. Há quase vinte anos sou Professor de Direito. E desde sempre vejo "docentes" e "profissionais" venderem essa balela para os pobres coitados dos alunos.

Quando coordenador de Curso tive o desprazer de chamar a atenção de (in) docentes que mentiam aos alunos dessa maneira. Eu lhes disse, inclusive, que, em vez de espalharem mentiras ouvidas de outros, melhor seria ensinarem seus alunos a escreverem, mas que essa minha esperança não se concretizaria porque nem mesmo eles sabiam escrever.

Pois bem!

Naquela época, a história que se contava era a seguinte: Dona Maria, a Pia, havia "baixado um alvará" pelo qual os advogados portugueses teriam de ser tratados como doutores nas Cortes Brasileiras. Então, por uma "lógica" das mais obtusas, todos os bacharéis do Brasil, magicamente, passaram a ser Doutores. Não é necessária muita inteligência para perceber os erros desse raciocínio. Mas como muita gente pode pensar como um ex-aluno meu, melhor desenvolver o pensamento (dizia meu jovem aluno: "o senhor é Advogado; pra que fazer Doutorado de novo, professor?").

1) Desde já saibamos que Dona Maria, de Pia nada tinha. Era Louca mesmo! E assim era chamada pelo Povo: Dona Maria, a Louca!

2) Em seguida, tenhamos claro que o tão falado alvará jamais existiu. Em 2000, o Senado Federal presenteou-me com mídias digitais contendo a coleção completa dos atos normativos desde a Colônia (mais de quinhentos anos de história normativa). Não se encontra nada sobre advogados, bacharéis, dona Maria, etc. Para quem quiser, a consulta hoje pode ser feita pela Internet.

3) Mas digamos que o tal alvará existisse e que dona Maria não fosse tão louca assim e que o povo fosse simplesmente maledicente. Prestem atenção no que era divulgado: os advogados portugueses deveriam ser tratados como doutores perante as Cortes Brasileiras. Advogados e não quaisquer bacharéis. Portugueses e não quaisquer nacionais. Nas Cortes Brasileiras e só! Se você, portanto, fosse um advogado português em Portugal não seria tratado assim. Se fosse um bacharel (advogado não inscrito no setor competente), ou fosse um juiz ou membro do Ministério Público você não poderia ser tratado assim. E não seria mesmo. Pois os membros da Magistratura e do Ministério Público tinham e têm o tratamento de Excelência (o que muita gente não consegue aprender de jeito nenhum). Os delegados e advogados públicos e privados têm o tratamento de Senhoria. E bacharel, por seu turno, é bacharel; e ponto final!

4) Continuemos. Leiam a Constituição de 1824 e verão que não há "alvará" como ato normativo. E ainda que houvesse, não teria sentido que alguém, com suas capacidades mentais reduzidas (a Pia Senhora), pudesse editar ato jurídico válido. Para piorar: ainda que existisse, com os limites postos ou não, com o advento da República cairiam todos os modos de tratamento em desacordo com o princípio republicano da vedação do privilégio de casta. Na República vale o mérito. E assim ocorreu com muitos tratamentos de natureza nobiliárquica sem qualquer valor a não ser o valor pessoal (como o brasão de nobreza de minha família italiana que guardo por mero capricho porque nada vale além de um cafezinho e isto se somarmos mais dois reais).

A coisa foi tão longe à época que fiz questão de provocar meus adversários insistentemente até que a Ordem dos Advogados do Brasil se pronunciou diversas vezes sobre o tema e encerrou o assunto.

Agora retorna a historieta com ares de renovação, mas com as velhas mentiras de sempre.

Agora o ato é um "decreto". E o "culpado" é Dom Pedro I (IV em Portugal).

Mas o enredo é idêntico. E as palavras se aplicam a ele com perfeição.

Vamos enterrar tudo isso com um só golpe?!

A Lei de 11 de agosto de 1827, responsável pela criação dos cursos jurídicos no Brasil, em seu nono artigo diz com todas as letras: "Os que frequentarem os cinco anos de qualquer dos Cursos, com aprovação, conseguirão o grau de Bachareis formados. Haverá tambem o grau de Doutor, que será conferido àqueles que se habilitarem com os requisitos que se especificarem nos Estatutos que devem formar-se, e só os que o obtiverem poderão ser escolhidos para Lentes".

Traduzindo o óbvio. A) Conclusão do curso de cinco anos: Bacharel. B) Cumprimento dos requisitos especificados nos Estatutos: Doutor. C) Obtenção do título de Doutor: candidatura a Lente (hoje Livre-Docente, pré-requisito para ser Professor Titular). Entendamos de vez: os Estatutos são das respectivas Faculdades de Direito existentes naqueles tempos (São Paulo, Olinda e Recife). A Ordem dos Advogados do Brasil só veio a existir com seus Estatutos (que não são acadêmicos) nos anos trinta.

Senhores.

Doutor é apenas quem faz Doutorado. E isso vale também para médicos, dentistas, etc, etc.

A tradição faz com que nos chamemos de Doutores. Mas isso não torna Doutor nenhum médico, dentista, veterinário e, mui especialmente, advogados.

Falo com sossego.

Afinal, após o meu mestrado, fui aprovado mais de quatro vezes em concursos no Brasil e na Europa e defendi minha tese de Doutorado em Direito Internacional e Integração Econômica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Aliás, disse eu: tese de Doutorado! Esse nome não se aplica aos trabalhos de graduação, de especialização e de mestrado. E nenhuma peça judicial pode ser chamada de tese, com decência e honestidade.

Escrevi mais de trezentos artigos, pareceres (não simples cotas), ensaios e livros. Uma verificação no sítio eletrônico do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) pode compravar o que digo. Tudo devidamente publicado no Brasil, na Dinamarca, na Alemanha, na Itália, na França, Suécia, México. Não chamo nenhum destes trabalhos de tese, a não ser minha sofrida tese de Doutorado.

Após anos como Advogado, eleito para o Instituto dos Advogados Brasileiros (poucos são), tendo ocupado comissões como a de Reforma do Poder Judiciário e de Direito Comunitário e após presidir a Associação Americana de Juristas, resolvi ingressar no Ministério Público da União para atuar especialmente junto à proteção dos Direitos Fundamentais dos Trabalhadores públicos e privados e na defesa dos interesses de toda a Sociedade. E assim o fiz: passei em quarto lugar nacional, terceiro lugar para a região Sul/Sudeste e em primeiro lugar no Estado de São Paulo. Após rápida passagem por Campinas, insisti com o Procurador-Geral em Brasília e fiz questão de vir para Mogi das Cruzes.

Em nossa Procuradoria, Doutor é só quem tem título acadêmico. Lá está estampado na parede para todos verem.

E não teve ninguém que reclamasse; porque, aliás, como disse linhas acima, foi a própria Ordem dos Advogados do Brasil quem assim determinou, conforme as decisões seguintes do Tribunal de Ética e Disciplina: Processos: E-3.652/2008; E-3.221/2005; E-2.573/02; E-2067/99; E-1.815/98.

Em resumo, dizem as decisões acima: não pode e não deve exigir o tratamento de Doutor ou apresentar-se como tal aquele que não possua titulação acadêmica para tanto.

Como eu costumo matar a cobra e matar bem matada, segue endereço oficial na Internet para consulta sobre a Lei Imperial:

www.planalto.gov.br/ccivil_03/revista/Rev_63/Lei_1827.htm

Os profissionais, sejam quais forem, têm de ser respeitados pelo que fazem de bom e não arrogar para si tratamento ao qual não façam jus. Isso vale para todos. Mas para os profissionais do Direito é mais séria a recomendação.

Afinal, cumprir a lei e concretizar o Direito é nossa função. Respeitemos a lei e o Direito, portanto; estudemos e, aí assim, exijamos o tratamento que conquistarmos. Mas só então.

PROF. DR. MARCO ANTÔNIO RIBEIRO TURA , 41 anos, jurista. Membro vitalício do Ministério Público da União. Doutor em Direito Internacional e Integração Econômica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Mestre em Direito Público e Ciência Política pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professor Visitante da Universidade de São Paulo. Ex-presidente da Associação Americana de Juristas, ex-titular do Instituto dos Advogados Brasileiros e ex-titular da Comissão de Reforma do Poder Judiciário da Ordem dos Advogados do Brasil.

71 Comentários

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Jose Carlos Barbosa Lemos
13 votos

O Dr. Marco Tura tem toda a razão e sempre tive essa opinião com relação ao título de "Doutor" aos advogados, médicos, dentistas, entre outros. No meu cartão ou qualquer documento, nunca assinei como Dr. Porém, todo o atendimento realizado pela OAB, varas do Trabalho, cível, crime, o tratamento dispensado é o de "Doutor", assim como, em audiências, seja pelo procurador da parte, seja pelo magistrado ou pelo MP, ou seja, sabemos que existe a necessidade da defesa de uma tese, mas, na prática, a denominação se "popularizou" com os próprios operadores do direito. Parabéns, Doutor, pelo brilhante texto.

1 ano atrás Responder Reportar
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Maria Eulina Vieira Lima
5 votos

Muito pertinente a opinião do Dr. Marco Tura. Além do que Doutor é título acadêmico e não pronome de tratamento.
Maria Eulina

9 meses atrás Responder Reportar
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Valmir Luckmann
4 votos

Em que pese o brilhante texto elucidativo do Dr. Marco Tura, não podemos esquecer de um simples detalhe: A fonte formal imediata do direito - O COSTUME.
A doutrina aponta dois requisitos para considerarmos um comportamento costumeiro: um, objetivo, a duração do hábito; outro, subjetivo, a consciência da obrigatoriedade.
Costume, a rigor, é o comportamento que se repete no tempo. Há o costume quando as pessoas adquirem um hábito comportamental duradouro, praticando espontaneamente a conduta. Torna-se uma fonte do direito quando podemos extrair, do comportamento, uma norma que seja considerada válida pelo ordenamento jurídico.
S.M.J.

1 ano atrás Responder Reportar
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Alexandre Kappaun
1 voto

Como não sou bacharel em direito, sou apenas um bacharel em ciências econômicas, com MBA em Diplomacia em Negócios Internacionais, MA in Gender Studies e mestrando em Relações Internacionais, gostaria de fazer uma indagação quanto à colocação do sr. Walmir Luckmann. No comentário acima, ele menciona o COSTUME como fonte do direito. Porém, fiquei com uma dúvida: tal afirmação, na prática, não seria mais válida no sistema do direito consuetudinário ("common law"), que seria, no meu entender, baseado na prática costumeira? No direito codificado, que é justamente o caso do direito brasileiro, o costume não precisaria passar pelo processo formal de criação de leis para ter validade como norma legal? Em tal contexto, o prof. dr. Marco Antônio Ribeiro Tura estaria corretíssimo. Aliás, o melhor exemplo do seu acerto, na minha humilde opinião, está na ironia apresentada através do aluno que faz a seguinte pergunta ao seu professor de direito: "o senhor é Advogado; pra que fazer Doutorado de novo, professor?" Brilhante ironia! Qual seria a resposta apropriada a tal indagação?

Francis Augusto Medeiros
1 voto

Alexandre, costume não é fonte de direito apenas em Common Law. É também fonte de direito em sistemas como o nosso, embora quase sempre seja fonte secundária, e não primária.
Em Common Law, aliás, é a fonte maior do direito.

Ueslei Uillis
1 voto

"COSTUME" não é um argumento válido. Só porque muitas pessoas fazem, não significa que um ato é legal. Se costume fosse justificativa p/ lei, seria necessária uma completa revisão de todos os códigos p/ tornar "de direito" coisas que vão desde o consumo de maconha por universitários a colocações racistas por pessoas abastadas, especialmente em certas regiões do país e conflitos religiosos.

Carlos Egídio

Parabéns, vc foi o mais coerente.

Rafael Palomino

Como você mesmo disse, Valmir, o costume pode ser fonte para o direito, desde que dele se extraia "uma norma considerada válida pelo ordenamento jurídico". Esse último ponto não é satisfeito pelo ordenamento jurídico atual.

Costume não é lei. Costume pode ser fonte de lei. Para que, do costume, faça-se uma lei, é necessário que ele seja debatido e normatizado. Eu não posso, sei lá, fumar maconha ou cheirar cocaína e me justificar ante o juiz dizendo que isso é um costume. Posso morar no campo e ter o costume de caçar capivara, mas isso não significa que a caça da capivara está legalizada. Costume pode ser fonte de lei, mas não se confunde com a lei: lei é lei, costume é costume. Alguns costumes servem como fonte para fazermos a lei. Outros, não.

O autor do texto mostra com argumentos abundantes que, nesse caso, a lei contraria o costume. Cumpra-se a lei.

Pj Jose

Com certeza o costume é grande fonte do direito. A simples exemplo temos as filas, as quais obedecem a ordem de chegada, não sendo necessário estar escrito ou codificado para que se aplique tal costume, bem como o respeito com que devemos nos dirigir aos mais velhos e vários acontecimentos reiterados que se tornam parte da vida de todos. Informar que o costume não é argumento válido seria acabar com a cultura, feriados, festas e várias outras formas que contribuíram para o desenvolvimento humano. Pior, trata-se de uma argumentação perigosa, a qual poderia ensejar na restrição de direitos já consagrados. O costume tanto é válido que o Supremo o aplicou para assegurar possíveis "mutações constitucionais" sem a necessidade de mudar o texto de nossa carta magna.

Larissa Santos
4 votos

estudemos, fazendo MESTRADO E DOUTORADO e, aí assim, exijamos o tratamento que conquistarmos. Mas só então.

1 ano atrás Responder Reportar
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Marcelo Fonti

Mesmo fazendo um Pós Doutorado em qualquer área, ainda continua sendo um título academico e não um pronome de tratamento.

Pj Jose

Compreendo que o artigo foi publicado anteriormente a novíssima Lei 12830/2013, que em seu artigo 3º concedeu o tratamento protocolar de excelência aos delegados com fundamento no que já era atribuído aos advogados, promotores e juízes, mas pelo que se percebe não e de conhecimento de muitos. Porém, por não ser o direito uma ciência exata, toda argumentação é válida. Frisa-se que, o tratamento protocolar de doutor perante os operadores do direito em nada se confunde com o título acadêmico, além do que as teses dos advogados são levadas a público e colocadas à prova. Tal tratamento dispensado ao advogado não se dá por uma única tese, mas pelo reconhecível trabalho intelectual que, quando aceito pelo poder judiciário, passa a fazer parte da vida de TODOS. Diferente das teses de alguns doutorandos que, infelizmente por ser Brasil, apenas preenchem a necessidade política dos departamentos acadêmicos que buscam um grande numerário de "doutores" para justificar a aplicação de verbas nos campos científicos. Não significa que não seja uma justificativa louvável, mas, tem alguns doutores com teses acadêmicas pífias que se fossem colocados a prova, em público, havendo partes interessadas por direitos opostos, só mesmo o próprio orientador os aprovariam. Por fim, como toda lei deve ser interpretada excelência significa grau máximo de qualidade.

Clara Maria Cavalcante Brum de Oliveira
3 votos

Obrigada. Como professora de Ética Profissional da Advocacia venho lutando no mesmo sentido de esclarecer esse equívoco. Parabéns pelo texto. Devidamente compartilhado com meus alunos.

6 meses atrás Responder Reportar
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Emmanuel Amazonas Rabello

Prezada Dra. Maria Clara,
Conhecemo-nos na UNESA BARRA, quando tive a felicidade de ouvir seus ensinamentos sobre Filosofia e Ética.
Gostaria de poder contatá-la para assunto profissional de Direito. Tenho tentado um telefone encontrado no www legaliti com br mas parece desatualizado. Na UNESA informaram que não dá mais aula lá.
Se possível, aguardo contato breve.
Atenciosamente, Emmanuel A. Rabello

Teresa Soares
2 votos

Já fiz alguns estudos sobre o tema em questão porém, o senhor foi o mais claro e objetivo. Senti-me muito orgulhosa em saber que existem pessoas com tamanha honradez! Pois somente alguém com tantos títulos e merecidos por sinal pode fazer jus a tal tratamento. Portanto, fica mais um aprendizado estudemos sempre, até mesmo para sermos mais coerentes ao nos reportarmos àqueles que realmente são merecedores de tal tratamento.

7 meses atrás Responder Reportar
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Erivaldo Campos
2 votos

É triste ver tanta perda de tempo com coisas que servem unicamente pra encher o próprio ego! Bom seria aqui, debater o quanto de conhecimento se adquire concluindo um doutorado!!

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Rafael Palomino
1 voto

O uso de "doutor" para referir-se a quem não é doutor, mas ocupa um cargo de prestígio, é reflexo do elitismo que marca a sociedade brasileira. Combater esse elitismo, traço comum a toda sociedade desigual, é uma forma de combater a própria desigualdade. Não é, claro, a solução para todo o problema da desigualdade, mas é, decerto, mais uma arena em que o combate precisa se travar.

Antônio Costa
2 votos

Doutor, parabéns pelo excelente texto!

É triste, mas os comentários de alguns (aqui mesmo sobre este tema) dão pistas do motivo pelo qual esse costume se consagrou na "boca do povo". Aliás, que povo! Por conseguinte, que país!!

3 meses atrás Responder Reportar
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Leandro da Silva Ribeiro
1 voto

Olá, excelente texto, entretanto, o termo doutor pode sim ser usado para qualquer pessoa que terminou o ensino superior. basta olhar o dicionário houaiss, Aurélio etc.

substantivo masculino
1 aquele que, numa universidade, foi promovido ao mais alto grau depois de haver defendido tese em alguma disciplina literária, artística ou científica
2 homem muito instruído em qualquer ramo
3 Uso: ironia.
homem que alardeia sapiência ou que dita regras de pensamento a propósito de tudo
4 pessoa diplomada em curso superior, esp. em medicina
5 qualquer médico
Ex.: o d. ficou de ver o doente em casa 6 forma de tratamento respeitoso, us. em reconhecimento de superioridade na hierarquia social

8 meses atrás Responder Reportar
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Deise Guerra
4 votos

Pois é. Este último dicionário citado também diz que "salchicha" é derivado de salsicha. Isso se explica pelo grande número de pessoas que falam "salchicha"... assim também se dá ao termo "doutor", contudo, isso não significa de maneira alguma que é a forma correta... Só vão para o dicionário palavras usadas por escritores e a fala do povo nos seus "usos e costumes", logo, esse argumento não se aplica aqui...

Alberto Präss
2 votos

Mesmo que estivesse na Bíblia ou no Alcorão, não é um argumento válido. Esse dicionário possui muitos e muitos erros em áreas científicas (sou físico). É um bom dicionário, mas não deve ser considerado infalível. Nada é infalível.

Além disso, dicionários se adaptam as tradições linguisticas.

Não vejo problema algum em se chamar de "doutor" alguém que mereça por grande mérito tal título "honorífico". Mesmo eu ainda não ter defendido minha tese, não sinto ciúmes desses casos. O triste é ver profissionais do tipo "advogado de porta de cadeia" ou "fisioterapeuta de academia" assinarem DOUTOR.

Ueslei Uillis
2 votos

o verbete colado acima não está indicando a etimologia e contexto em que se usa cada uma das definições. "1" é a definição de lei e acadêmica. "2", é pop., tão correto quanto "ni mim". "3" obviamente é irônico. "4" e "5" são definições por uso de língua, mas "pop." e não correspondentes ao título acadêmico, assim como "6".

Mirela Castro
1 voto

Veja bem, Leandro, você mesmo disse que: "1 aquele que, numa universidade, foi promovido ao MAIS ALTO GRAU depois de haver defendido uma TESE", portanto, não é qualquer um que terminou o ensino superior, mas apenas quem passou por todos os graus deste: graduação, mestrado e DOUTORADO. Sobre os demais usos, o Houaiss é um dicionário de USOS da língua, o uso pode sim consagrar um termo, mas isso não significa dizer que o mesmo é correto.

Rafael Palomino
1 voto

Leandro, há um erro conceitual aqui. O dicionário registra todos os usos correntes de uma expressão - mesmo os usos cientificamente incorretos (como chamou a atenção o físico Aberto Präss). O dicionário não tem preocupação de dar aos termos seu sentido cientificamente correto. O mesmo vale para o direito. O dicionário não tem a preocupação de fornecer o sentido que se convencionou a um termo na Lei. Ele apenas diz: "no Brasil, usa-se a palavra 'doutor' com esse sentido". De fato, "doutor" é uma palavra usada com os sentidos que o dicionário aponta. Esse uso é considerado incorreto pela lei, mas existe e, por isso, o dicionário o registra.

Quanto ao comentário de Deise Guerra, o termo "salchicha" é, de fato, derivado de "salsicha", embora não aceito pela norma padrão. As pessoas não falam "salchicha" por ler esse termo no dicionário. É o contrário: um termo é muito falado e, depois, dicionarizado. Assim foi dicionarizado, por exemplo, a palavra "flecha", que, durante muito tempo, foi uma variação da palavra "frecha". E por aí afora.

Emilio Guilherme Rodrigues Magalhaes

Você está errado....especialidade em medicina.

Fabrício Tronco Dalmolin

Dicionário não é norma, apenas tradução do que se entende sobre a lingua.

Rosane Schroer Moraes
1 voto

Senhor Professor Doutor Marco Tura, muito me orgulho de suas palavras e reconhecimento sobre seu comentário dos "Doutores". Sou Professora Pós Graduada em Educação Física e só não segui adiante pois vieram os filhos e não atuo mais na área. O título de Doutor na minha casa quem o tem é meu esposo, com muito orgulho que, com muito esforço e por conta própria de anos fazendo poupança, o fez em Porto, Portugal. Parabéns!

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Crísnel Ribeiro
1 voto

Desculpe, mas tive que me cadastrar nesse site só pra te informar uma coisinha. Espero que da próximo vez que decidir escrever um texto de tamanho impacto e importância para a sociedade, pesquise um pouquinho mais...

RESPALDO LEGAL PARA O USO DE DOUTOR PELO FISIOTERAPEUTA:
O PRESIENTE DO CONSELHO REGIONAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL DA 5ª REGIÃO – CREFITO-5;
No uso de suas atribuições e competência prevista no inciso II, do art. 44, da Resolução COFFITO-6, tendo em vista o deliberado na Reunião de Diretoria, realizada em 23/10/2000, em consonância com a luta até então desenvolvida pelo Egrégio Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – COFFITO, e considerando:

1- A não existência do direito positivo brasileiro, consubstanciado na Lei n. 5.540 de 28.01.68, e no Decreto Lei n. 465 de 10.02.65, de preceitos legais disciplinando a concessão do título de Doutor;

2- Baseando-se em que o uso do título de Doutor tem por fundamento procedimento isonômico, sendo, em realidade, a confirmação da autoridade científica profissional perante o paciente;
3- Que o título de Doutor tem por fundamento praxe jurídica do direito consuetudinário, sendo de uso tradicionalmente aceito entre os profissionais de nível superior; 4- Que a praxe jurídica fundamentada nos costumes e tradições brasileiras, tão bem definidas nos dicionários pátrios, assegura a todos diplomados em curso de nível superior, o legítimo direito do uso do título de Doutor; 5- Que a não utilização do título de Doutor leva a sociedade e mais especificamente a clientela do profissional da área a que se destina assistência fisioterapêutica, pressupor uma inadmissível e inconcebível subalternidade, em se tratando de profissional de nível superior; 6- Que deve ser mantida isonomia entre os componentes da Equipe de Saúde e que o título de Doutor é um complemento, um “plus” na afirmação de um legítimo direito conquistado ao nível de aprofundamento em uma prática terapêutica com fundamentação científica; 7- A inexistência, na língua portuguesa e na legislação própria das expressões FT e TO, o que por lógico torna inadmissível a utilização de tais abreviaturas como identificação do profissional da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional, respectivamente; 8- Que expressões outras que não Fisioterapia, dificultam e não identificam de forma clara e objetiva o profissional da Fisioterapia; DECIDE: Recomendar aos Fisioterapeutas que na sua atuação profissional usem o título de Doutor, por se tratar de um direito legítimo e incontestável. Outrossim, decide ainda, não reconhecer as abreviações FT como identificadora do profissional da Fisioterapia.

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Zezito Rodrigues da Silva
1 voto

Que pérola, esse texto. Somente confirma o que nosso texto original, comentado aqui trata brilhantemente. Como o pedantismo de algumas categorias ainda teima em prevalecer como forma de petrificar socialmente a "inadmissível e inconcebível subalternidade" de "certas categorias profissionais universitárias". Isso traduz, como alguém comentou aqui, a insistência na manutenção da sociedade de castas. E sabemos que os conselhos de classe tem sido os maiores responsáveis por essa aberração. Desde as campanhas contra o programa MAIS MÉDICO com ataques xenofóbicos a outros colegas da categoria até as aberrações das provas das categorias que tem se revelado verdadeiras barreiras objetivando reservas de mercado, sob pretexto de pensar qualidade... pensemos nisso.

Matheus Faustino
1 voto

Com todo respeito ao seu estudo, muito bem elaborado. Eu, que não sou ninguém neste mundo jurídico, sou da opinião de que títulos (pronomes de tratamento) não podem ser exigidos se não merecidos, e nada torna um cidadão mais merecedor do que o reconhecimento popular. O senhor (ou outrem) pode ser um Doutor em uma roda de juristas e um Zero à esquerda na fila da padaria, se não souber conversar com as pessoas. E nem a gramática ou um decreto legal pode fazer com que um popular trate o advogado picareta pelas honrarias da senhora sua mãe, bem como impedir o mesmo de chamá-lo de doutor. Mas se atualmente, é do vocabulário popular se referir aos advogados com esta "solenidade", então a prática popular é que constrói a língua de Eulália.

2 meses atrás Responder Reportar
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Adalberto Martinez Fisioterapia
1 voto

Acredito ser essa uma conversa tão BURROCRATIZADA que após toda a leitura de diversos comentários que julguei pertinentes apenas penso que o próximo tópico pra esta discussão poderá se tornar: Por que chamar o Papa de Vossa Santidade se ele nem está morto para isto! Nem mesmo ocorreu processo de canonização!
AH, mas estamos falando de leis que não se aplicam a religião! Foi por "Vossa Santidade" que Joaquim Barbosa (que não entende muito de leis - 'ironia') se referiu a ele.

Sou fisioterapeuta e não faço questão do título de doutor, apenas acho que se esta discussão se embasar no tema SER OU NÃO DOUTOR, pode-se perder a essência do que foi colocado no texto: "Os profissionais, sejam quais forem, têm de ser respeitados pelo que fazem de bom e não arrogar para si tratamento ao qual não façam jus. Isso vale para todos"

1 mês atrás Responder Reportar
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Derick Martella

Até concordo com sua opinião, mas chamar o Advogado de Dr. é lei, e até onde eu sei não foi revogada ! Não se trata de arrogância, é lei...
O título de doutor foi concedido aos advogados por Dom Pedro I, em 1827. Título este que não se confunde com o estabelecido pela Lei nº 9.394/96 (Diretrizes e Bases da Educação), aferido e concedido pelas Universidades aos acadêmicos em geral !

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Clara Maria Cavalcante Brum de Oliveira
2 votos

Oi Derick, veja que o texto do Ilustre professor esclarece exatamente que não há lei nos conferindo este título acadêmico. abs

Marcelo Gurgel da Silva
1 voto

Vc não leu o texto dele inteiro. :)

Enos Arneiro

Sra. Clara, mas não é sobre título acadêmico, e sim título honorífico. Naturezas distintas. Aliás, promotor que quer ser chamado de Excelência, sei não, tsc tsc.

Emmanuel Amazonas Rabello

Se é verdade, transmite-se da noite dos séculos que "A ignorância é o único abismo capaz de separar os seres humanos e impedir sua evolução" - ou com outras palavras a traduzir o que seria original.
Sócrates sentenciou: "Conhece a Ti mesmo!".
Sun Tzu, filófoso e estrategista, declarou: "Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas".
Abraham Lincoln, o excepcional estadista e líder, sentenciou: "Você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar a todas por todo o tempo".
Iludir uma ou muitas pessoas, a sociedade, não parece coisa - e não é - de ser inteligente, mas de alguém que busca florir ou adornar uma cabeça que nada tem a mostrar além da angustia de nada ser e assim saber.
Parabéns ao Doutor Marco Antônio Ribeiro Tura pela ilustração brilhante e divulgação sempre necessária da verdade singela.

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Alexsandra Ferreira

Ao final de toda discórdia, certo é que o ADVOGADO é indispensável à administração da justiça. Ou seja, sem ADVOGADO não se faz JUSTIÇA.
Desta feita DOUTOR Promotor Federal, caso necessite ser representado em juízo procure um ADVOGADO. Aos outros comentarista digo lhes: Caso necessitem serem representados em juízo procure somente um profissional o ADVOGADO, pois é o único que tem capacidade postulatória para representá-los.

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Alba Dutra
2 votos

DR. MARCO TURA parabéns pelo texto.
Realmente defendeu o título de doutor, então que dignamente seja assim chamado.
Alexandra, calma moça, não é assim que as coisas funcionam ,doutores estudam muito e em todas as áreas pra ser intitulado assim. "Nem só de tribunais e representantes vive o homem". Então, vamos respeitar todas as áreas e entender que título de doutor só tem que o merece.
No seu dia a dia tem vários profissionais atuando. Alguém cuida da água que você bebe, que faz seus cremes de cabelo, sabonetes, esmaltes, remédios, engenheiros de alimentos, químicos; veterinários "talvez"; engenheiro civil, mecatrônico, elétrico e etc.
Antes de chegar a um tribunal você passa por muitos profissionais que sem eles, não seria possível nem você está ai sentada lendo esse post.
Você conhece o que é mecânica quântica, teoria das cordas?
Então, não seja incoerente com todas as áreas de conhecimento. Não intitule doutor quem não tem doutorado e nem pense que o mundo gira em torno de "advogados" entendo e concordo com a importância, mas sei que o leque de profissionais é gigante.
Seja doutor .. quem de fato é doutor!

Zezito Rodrigues da Silva
1 voto

Disse bem Alessandra... e quando tiver dor de cabeça, procure um MÉDICO, ou um NUTRICIONISTA, para cuidar da alimentação e todos os outras especialidades.... zelando sempre pelo profissionalismo cada um que, republicanamente, deverão ser considerados e respeitados profisssioalmente. Mas trate-os por DOUTORES caso possuam doutorado.... inclusive os professores que ajudaram na qualificação de todos eles...

Manoela Oliveira

Engraçado né, nós da classe médica não podemos ser chamados de Doutores mas o que NINGUÉM comenta é o fato de que o curso de Medicina tem carga horária superior ao CURSO SUPERIOR + MESTRADO + DOUTORADO de muitos cursinhos por aí.
São 4 anos com carga horária integral + os castigados plantões dos 2 anos de internato onde além de estudar como um condenado você ainda não vai poder dormir.

Então o que? Vão lá! Criem uma classe diferenciada pra quem faz medicina!! Nos chamem de algo que seja equivalente à nossa carga horária.
Porque para muitos de nós vai ser uma honra poder dizer que nós temos carga horária MAIOR que muito "doutorzinho de doutorado". Especialmente para médicos que além dos seis anos ainda fazem residência médica

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Emerson Rici
4 votos

Manoela, a classe diferenciada ja existe,ela chama-se especialização, após a residência o bacharel em medicina é especialista em alguma área, ou seja, o tempo que ela fica la é equivalente a ema Pos Lato Sensu, ou seja, não é nem um tempo perdido ou classe especial mas a titulação correta a um tempo dedicado a um estudo focado numa especialidade, não merece titulo especial, não tem uma dissertação ou tese defendida, que valha um titulo diferente por isso.

Rafael Palomino
2 votos

Manoela, o título de doutor nada tem a ver com a duração do curso. O critério para se chamar alguém de doutor não é quantitativo, mas qualitativo: trata-se não de realizar um curso de maior duração, mas de fazer algo diferente daquilo que se faz nos cursos de graduação. Numa graduação, o estudante obtém conhecimento. Num doutorado, o estudioso produz conhecimento. A defesa da tese é que torna alguém doutor.

Vale dizer: o fato de alguém ter o título de doutor não significa que essa pessoa é melhor que alguém, ou que ocupa posição superior numa hierarquia. Significa, apenas, que essa pessoa produziu algum conhecimento. Se o médico não o produziu, não é doutor, e isso não é demérito profissional algum, assim como o título de doutor não é nenhuma prova de superioridade.

José Roberto de Melo

Esse comentário não acrescenta nada. Todo mundo sabe que "Doutor" é quem defende uma tese, então logo se torna doutor, ou seja, não é razoável cometários que não resolve questão desse tipo. Até porque, doutor é igual a quem não é doutor, ou melhor, vai morrer do mesmo jeito e pra terra também. Porém, desde os meus primeiros passos na Universidade que os nobres doutores e principalmente os ilustres advogados e mestres se dirigiam à classe chamando-nos de doutores. É claro que, isso se configurava um respeito de tratamento, como também no foros os Magistrados tinham o mesmo comportamento. Então, não sei porque desse comentário tão arrogante desse cidadão doutor, ou seja, como se isso engrandecesse os doutores e diminuísse os não doutores. Ora, toda pessoa de sã consciência sabe que doutor é aquele que faz uma especialização numa area e defende uma tese. Ora, na vida profissional isso não quer dizer nada, pois conheço advogados que ainda não são doutores como alguns afirma de forma arrogante, mas ganham mais do que certos doutores. E ai o que dizer disso? É, o Título as vezes quer dizer alguma coisa ou certo privilégio, mas cada um faça jus naquilo que pode.

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Ueslei Uillis
1 voto

Um título de Doutor não fornece privilégio algum ao portador além de atestar que atingiu um objetivo intelectual que qualifica a pessoa a determinadas atividades acadêmicas.

Santos Cecilio Cecilio
1 voto

muito bem dito. só acrescento uma coisinha, se me permite: a valorização do profissional não está no quanto ganha, mas o quanto modifica o ambiente.

Eliane Miyagi

E só para piorar, no Brasil está se abrindo muitos cursos de pós-graduação e formando doutores, que conseguem o título empurrando com a barriga, infelizmente. Acredito que são esses é que exigem serem chamados de "doutores".

Antônio Caetano P. Simões

Parabéns pela ética que pratica. Excelente! Parabéns pela clareza de sua exposição e pela ética que pratica. "Vanitas vanitatum et omnia vanitas."

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Antônio Caetano P. Simões

Excelente! Parabéns pela clareza de sua exposição e pela ética que pratica. "Vanitas vanitatum et omnia vanitas."

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Felippe de Alencar

Diria mais: estude e nem depois exija tal tratamento.

Tratamento de Doutor é pouco usado até no próprio meio acadêmico e não tem nem porque ser utilizado em situações cotidianas.

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Santos Cecilio Cecilio

êta povo que adora um título! é uma das características do gene brasileiro. haja recalque! já assisti a aulas de doutores que me levaram a perguntar a mim mesmo: que perda de tempo, poderia ser qualquer outra coisa mais útil na vida. da mesma forma, já assisti a aulas de graduados apenas que me deixaram admirado. em verdade, mestrado, doutorado são uma repetição do nada e atendem unicamente a uma exigência acadêmica.
noutro giro, os grandes homens que deixaram todas essas maravilhas para a humanidade, decerto, não tinham mestrado e nem doutorado. necessitamos, urgentemente, daquele que pensam, que inferem, que observam, que insistem, e insistem, e insistem e, por fim, auferem resultados esplêndidos, não para si, mas para o Mundo! professores mesmo são aqueles que sabem traduzir ,com simplicidade e amor os seus discentes."... Os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam ser especialistas em amor: Intérpretes de sonhos."
Rubem Alves
acho que a intenção do escritor é mesmo fazer uma apologia pessoal, nada mais.

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Gilberto Santos da Silva

Muito coerente e corretíssimo o texto do Dr. Marco Turra, entretanto, tudo o que ele colocou com muita propriedade não nos é novidade. Como Advogado, entendo que enquanto o Magistrado, o Promotor, os Médicos, etc., forem chamados de doutor, nós advogados deveremos sim receber o mesmo tratamento. Particularmente não dou muita atenção e meu ego não necessita desse "pronome de tratamento". Mas acredito que por questão de equilíbrio na relação profissional o pronome Doutor deve permanecer. Mas não se preocupe Dr. Marco, sabemos sim que o senhor é que é Doutor. No mais, acho que devemos nos preocupar com a excelência no atendimento a nossos clientes, os quais, sabemos muito bem, depositam toda confiança e suas vidas em nossas mãos.

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Julio Morgan

O termo Doutor vem do verbo latino docēre (ensinar). No fim do estudo universitátio nas universidades da idade média de acordo com as tradições da escolástica obtinha-se a licença para ensinar (licentia doscendi) originalmente exclusiva da igreja. Assim, depois da conclusão de um curso universitário o graduado se intitulava doutor e tinha o direito de ensinar na academia. Até então a profissão de médico era aprendida de maneira informal e os termos ἰατρός (iátros) ou medicus eram encontrados na literatura.

No ano de 1221 quando o imperador Frederico II, da Itália declarou que ninguém poderia se tornar médico sem ser examinado publicamente pelos mestres de Salerno. Era um curso de 5 anos e como de praxe na época os laureados recebiam o título de Doutor Medicinae. A partir daí o termo de doutor começou a ser usado para designar médicos. É uma relação histórica que data da incorporação da medicina à universidade.

Há 900 anos se usa o termo Doutor em Medicina para o graduado em medicina. Só no século XIX que o termo doutor começou a designar os portadores de doutorado. Os outros cursos de saúde datam do século XIX não havendo relação histórica com o uso do Dr. como no caso da medicina, já se adequavam à nova norma universitária.

O mesmo vale para o Direito e todos os cursos que datam dos tempos da escolástica. Então da próxima vez que ouvirem que doutor é quem tem doutorado, expliquem que vocês são doutores desde antes da existência do doutorado.

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Rafael Palomino
2 votos

Julio, "doutor" era uma palavra que tinha um significado totalmente diferente naquela época. Você diz que, nos tempos da escolástica, era costume chamarem-se de "doutor" os que completavam o exame para se tornar médicos. Na verdade, não; eles eram chamados por outro vocábulo, que apenas etimologicamente pode ser aproximado ao moderno termo "doutor". Com o passar do tempo, assim como a palavra "enfezado" deixou de significar "envolto em fezes" para tornar-se "irritado", assim como "bizarro" deixou de significar "elegante" e tornou-se sinônimo de "estranho", "doutor" passou a designar aquele que encerra o doutorado. O fato de esse vocábulo (que, insisto, apenas etimologicamente pode ser aproximado daquele latim culto do século XIII) ter significado isso ou aquilo em línguas do passado, definitivamente, não prova coisa alguma.

Zezito Rodrigues da Silva

Bela aula de anacronismo ! Em nada, invalida os comentários do autor. Ao contrário, reforça-os.

Cincinato Furtado

A informação confere, pelo menos pra medicina.
http://books.google.com.br/books?id=6bEZ8Hp8h5sC&pg=PA111&lpg=PA111&dq=%22doctor+medicinae%22+salermo&source=bl&ots=vSQ1XQqlks&sig=ouL6zbQ7jBYH-KJDs0YPlx5P59E&hl=pt-BR&sa=X&ei=nd7VUr6VDc63kQfQ2YGIBg&ved=0CDAQ6AEwAA#v=onepage&q=%22doctor%20medicinae%22%20salermo&f=false

Alexsander de Carvalho

Professor, e quanto a este artigo postado pela própria OAB? http://www.oab.org.br/editora/revista/users/revista/1211290605174218181901.pdf

Abs,

Alexsander

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Jairo Santos

O Brasil está cheio de doutor ignorante e analfabeto competente. O que muda isso no cotidiano? Ser chamado de doutor ou não vai nos fazer mais felizes? Ok, o narrador aí quer parabéns, pois contou com orgulho toda sua história para dizer que é doutor, então, parabéns doutor. Agora convide seus amigos para outro movimento "informe a todos que não há hierarquia entre advogados, promotores, juízes, procuradores e delegados" assim estará fazendo um grande favor ao país com todo seu doutorado.

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Handerson Cavalcanti

delegado agora tb é tratado por Excelência. Vide art. 3º da lei 12830

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12830.htm

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Handerson Cavalcanti

O autor tem completa razão, falta vontade da sociedade para mudar essa cultura

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Regina Paranhos Fleming

Muito obrigada pelo excelente texto e pelo brilhante posicionamento, sou academica de direito e vejo muitas pessoas do âmbito juridico se acharem e exigirem que chamemos de : professor doutor, quem é um mero bacharel, como se fosse uma ofensa não chamar advogado de doutor; e na instituição de ensino, já até chamam a gente de doutores. Meros acadêmicos vamos estudar para um dia realmente nos classifiquemos e assim merecermos o título de doutor.
Regina Fleming

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Andre Nobrega

Excelentíssimo Senhor Professor Doutor Marco Tura (desculpe se esqueço-me de algum título), agora eu entendi, parabéns por seus títulos deve se orgulhar dos mesmos, há ignorantes que não se importam tanto com uma discussão tão profunda. Até porque poucas pessoas convidariam os professores de uma faculdade para tratar de tema de tamanha imponência, acredito que todos os professores devem ter saído muito felizes e sentindo-se mais cultos após a devida explicação.

Pois bem há 80% da população brasileira que trata por Doutor muitas profissões que não têm doutorado, e a língua é dinâmica deixemos isso para o ambiente dos gramáticos que seria melhor avaliado do que no ambiente normativo.

Uma música muito boa que explica toda essa problemática de autoria da Valesca Popozuda que fala sobre as recalcadas, enfim, de uma filosofia ímpar. No mais não gosto que me chame de Senhor, nem de Doutor, nem de Professor, nem de Mestre ou qualquer dos termos que denotem qualquer título, me chame de André poque o resto é recalque.

Poupemo-nos do jogo de vaidade, vamos pentear o ego de nossas vaidades em casa.

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Andre Nobrega

Excelentíssimo Senhor Doutor Procurador Professor Marco Tura. (esqueci de algo?)

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Adriano Jorge

Alguém já ouviu falar em tradição? O tratamento está consolidado pela tradição. Doutor, hoje, é o médico, o advogado, o dentista, etc. A tradição impõe o uso, não os decretos. é uma forma respeitosa de se dirigir a certos profissionais. Em qualquer interior deste vasto país, o cidadão dirige-se ao rábula, ao juiz ou ao promotor como doutor e nada mudará isso, nem se por acaso se transformar em crime a atitude de quem assim age.
Ciumeira e tolice.

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Crísnel Ribeiro

RESPALDO LEGAL PARA O USO DE DOUTOR PELO FISIOTERAPEUTA:
O PRESIENTE DO CONSELHO REGIONAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL DA 5ª REGIÃO – CREFITO-5;

No uso de suas atribuições e competência prevista no inciso II, do art. 44, da Resolução COFFITO-6, tendo em vista o deliberado na Reunião de Diretoria, realizada em 23/10/2000, em consonância com a luta até então desenvolvida pelo Egrégio Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – COFFITO, e considerando:

1- A não existência do direito positivo brasileiro, consubstanciado na Lei n. 5.540 de 28.01.68, e no Decreto Lei n. 465 de 10.02.65, de preceitos legais disciplinando a concessão do título de Doutor;

2- Baseando-se em que o uso do título de Doutor tem por fundamento procedimento isonômico, sendo, em realidade, a confirmação da autoridade científica profissional perante o paciente;

3- Que o título de Doutor tem por fundamento praxe jurídica do direito consuetudinário, sendo de uso tradicionalmente aceito entre os profissionais de nível superior;

4- Que a praxe jurídica fundamentada nos costumes e tradições brasileiras, tão bem definidas nos dicionários pátrios, assegura a todos diplomados em curso de nível superior, o legítimo direito do uso do título de Doutor;

5- Que a não utilização do título de Doutor leva a sociedade e mais especificamente a clientela do profissional da área a que se destina assistência fisioterapêutica, pressupor uma inadmissível e inconcebível subalternidade, em se tratando de profissional de nível superior;

6- Que deve ser mantida isonomia entre os componentes da Equipe de Saúde e que o título de Doutor é um complemento, um “plus” na afirmação de um legítimo direito conquistado ao nível de aprofundamento em uma prática terapêutica com fundamentação científica;

7- A inexistência, na língua portuguesa e na legislação própria das expressões FT e TO, o que por lógico torna inadmissível a utilização de tais abreviaturas como identificação do profissional da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional, respectivamente;

8- Que expressões outras que não Fisioterapia, dificultam e não identificam de forma clara e objetiva o profissional da Fisioterapia;

DECIDE: Recomendar aos Fisioterapeutas que na sua atuação profissional usem o título de Doutor, por se tratar de um direito legítimo e incontestável. Outrossim, decide ainda, não reconhecer as abreviações FT como identificadora do profissional da Fisioterapia.
Sala de sessões, 23 de outubro de 2000.

RERERÊNCIAS
www.coffito.org.br
www.crefito10.org.br/

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Jose Daudt

E desde quando uma resolucao interna de um conselho regional representa o respaldo legal? Com relacao a ciumeira citada por um dos debatedores, ela reside eh nos advogados. Nao nos que realmente fizeram doutorado.

Jose Daudt

Acho que o comentário do "doutor" Luckmann, com todo respeito, toca em um ponto fundamental dessa discussão: existe no Brasil um pensamento oligárquico, coronelístico (como diria Odorico Paraguaçu), enraizado de maneira profunda em uma casta da população. Privilégios não existem para serem perdidos, pensam estes senhores feudais. Por que não continuamos a tratar os pseudo doutores de doutores pois, afinal de contas, já faz tanto tempo que a gente faz assim, para que trocar, não é mesmo? E continuamos a perpetuar a idolatria exacerbada dos que não têm instrução suficiente para perceber que um Bacharel em Direito pode fazer a mesma coisa que o tal "Doutor" em Direito. E acabamos na situação de um amigo meu de secundária que, logo depois de graduar-se em Direito, abriu um escritório na nossa cidade natal, um lugarejo onde a agro-pecuária é a principal atividade economica. Na placa, para ser honesto consigo, este amigo escreveu: "Bacharel Fulano de Tal, Causas Cíveis e Criminais". Depois de um bom tempo, chegou a conclusão que a baixa atividade não estava relacionada a sua pouca experiência. Era sim devido ao fato de que ele não havia posto a alcunha "Doutor" na placa, pequeno deslize que causava desconfiança nos pouco instuídos locais. Triste, muito triste. E, em vez de tentar mostrar o que é correto, alguns "Doutores" querem é mais que isso se perpetue porque "é costume". Eu honro muito minha formação, não sou da área jurídica, sou geólogo, tenho Doutorado em Estratigrafia. Não peço que me chamem de Doutor para lá e para cá embora isso possa ajudar em muito a minha carreira (assim como ajuda a carreira dos bacharéis em Direito). Quem diz que a experiência do doutorado não faz a diferença é porque não fez o doutorado para sentir na carne as dificuldades, as pressões e o engrandecimento quando o programa é concluído. Repito, muito triste que tenha gente que insista nessa parábola dos "doutores" do Império. E parabéns ao Doutor Tura pela excelente argumentação.

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Nadir Dourado

Brilhante e muito esclarecedor o texto do Dr. Marco Tura. Por diversas vezes ví esta polêmica sobre o uso do título de Doutor, principalmente em redes sociais. A meu ver, além da tradição/costume, é também uma questão de vaidade que leva não somente várias classes de profissionais, mas também pessoas mais abastadas ou que ocupam algum lugar de destaque na sociedade, e até algumas celebridades, a fazerem questão do título. Como sugestão, penso que, em consideração aos que se dedicam aos estudos pra conquistar o Doutorado, deveria haver uma diferenciação com normatização para o uso do título, pelo menos na grafia, entre "Doutor - Dr" (quem faz o doutorado) e os demais "doutores - dr". Seria justo?

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Adriano Roberto Ferreira

Que tal os pretensos doutores estudarem um pouco mais se fizerem questão desse pronome de tratamento? Principalmente porque a falta de qualidade nos serviços prestados pelos profissionais de justiça e saúde no Brasil em grande parte se deve à falta de qualificação profissional.

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Luiz Carlos Nunes Nunes

Depois de tantos comentários a favor e contra, chego a conclusão que..."Doutor é aquele que a natureza adotou."

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Veridiano Fontenele

Concordo que Doutor é quem faz doutorado e ponto final. Quem quiser registrar "DR" antes do nome, que faça por merecer. O "costume" faz a boca torta.

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ou

Disponível em: http://por-leitores.jusbrasil.com.br/noticias/1682209/doutor-e-quem-faz-doutorado